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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

A história do Jornal do Comércio

Consultor do Comércio foi o primeiro nome do Jornal do Comércio (Arquivo JC)

Em 1952, o Jornal do Comércio ainda se chamava Consultor do Comércio. Foi criado em 1933 por Jenor Cardoso Jarros (1910-1969), em uma época em que o mundo continuava sob o impacto da quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929. Começou como simples boletim informativo, finalizado de forma artesanal em máquinas de escrever e impresso em mimeógrafo a tinta, em pequena sala alugada durante dois anos na Rua General Câmara 28 (chamada Rua da Ladeira, no centro de Porto Alegre). A cobertura da economia de Porto Alegre, naquela época, começava com a pesquisa de duas fontes: as mercadorias que chegavam e saíam da cidade através do cais do porto e da estação ferroviária.

Artesanal: jornal começou datilografado e impresso em mimeógrafo a tinta (Fotos Arquivo JC)

De 1935 a 1940, o Consultor funcionou em uma peça nos altos do Mercado Público. Em 1940, o presidente Getúlio Vargas inaugurou o Palácio do Comércio e o periódico mudou-se para a sala 227. Sua primeira sede própria, na Siqueira Campos 866, próxima ao Correio do Povo, foi adquirida no final da década de 1950 e abrigou o jornal até 1968. O prédio foi atingido pela enchente de 1967, que motivou a construção do polêmico Muro da Mauá. No ano seguinte, o JC mudou-se para a Avenida João Pessoa 1282. Em 9 de novembro de 1970, tornou-se o segundo jornal diário de Porto Alegre impresso em off-set (o primeiro foi a Zero Hora, no ano anterior).

A impressora Mercedes, adquirida em 1953, permitiu a circulação três vezes por semana (Arquivo JC)

Quando surgiu o curso de Jornalismo da PUCRS, o Consultor do Comércio era semanal, composto já em linotipos e impresso em duas pequenas impressoras, de difícil operação. Os gráficos, pacientes, as chamavam de “dengosa” e “mimosa”. No ano seguinte, em 1953, foi adquirida uma impressora meia-folha Mercedes, e o jornal começa a circular três vezes por semana. Somente em 1° de outubro de 1956, passa a se chamar Jornal do Comércio. Em 1° de setembro de 1960, torna-se diário.

Com a morte de seu fundador, em 69, o JC foi dirigido pela viúva Zaida Jayme Jarros (1913-2004), até sua morte. Hoje o diretor-presidente é o comerciante empreendedor Mércio Tumelero, que já havia se associado à empresa em 1998. Familiares dos antigos proprietários são mantidos no Conselho de Administração e continuam trabalhando no jornal funcionários com até meio século de casa.

A Redação com atualização técnica e novas impressoras a cores, o jornal circula de segunda a sexta-feira. São encartados vários cadernos destinados a empresas, comércio, leis, cultura, meio ambiente, carros, entre outros. “Implantamos um programa de qualidade que classifico como uma das melhores iniciativas que tivemos para obter a melhor impressão possível, o melhor texto, a melhor diagramação e a melhor foto possível. E assim, com mais cadernos e mais conteúdo, o jornal teve uma evolução fantástica nestes últimos anos”, destacou Mércio Tumelero, em publicação comemorativa aos 80 anos do jornal, em 2013.

Jarros, o criador do periódico, festeja os 30 anos do Jornal do Comércio em 1963 (Arquivo JC)

O Jornal do Comércio programa uma nova mudança de sede, para um imóvel mais amplo, na Avenida Pernambuco, na Zona Norte da capital. A mesma preocupação norteia sua ação há mais de 80 anos: oferecer informação de qualidade e credibilidade para quem movimenta a economia do Rio Grande do Sul, desde a época em que as principais fontes eram o cais do porto e a estação ferroviária.

Em Porto Alegre, houve outro Jornal do Commercio, que circulou de 1863 a 1911, com uma tiragem que chegou no fim do século 19 a 6 mil exemplares, protagonizando em 1899 uma polêmica com o Correio do Povo sobre qual tinha a maior vendagem, ambos utilizando o mesmo slogan: “Jornal de maior tiragem e circulação do Rio Grande do Sul”.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1952

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Milena Nyland

Post publicado em: 13 de maio de 2015