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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

A Revista Manchete também é de 1952

Em abril de 1952, um mês após a aula inaugural do curso de Jornalismo da PUCRS, passou a circular a revista carioca Manchete, da Bloch Editores, do ucraniano Adolpho Bloch (1908-1995), baseada na revista ilustrada de fotojornalismo Paris Match. O objetivo era fazer concorrência à maior revista brasileira da época, O Cruzeiro, dos Diários Associados, do paulista de Assis Chateaubriand (1892-1968), advogado, mecenas das artes, fazendeiro e senador.

O Cruzeiro era a grande revista nacional naquela época

Lançada em 10 novembro de 1928, no Rio de Janeiro, em papel couche e a cores, o Cruzeiro se popõe em ser uma revista sintonizada com os novos tempos, representados pelos arranha-céus, radiotelefonia e o correio aéreo. Revista espetáculo de entretenimento, cultura, cinema, cartum, sensacionalismo, sociedade, culinária, moda e política, ela teve como sua grande dupla de repórteres David Nasser e o fotógrafo e cinegrafista francês Jean Manson.

Nos anos 1950, em um país de 50 milhões de habitantes, a publicação se tornou um milagre editorial, com tirarem de 850 mil exemplares. No exterior, circulava em Portugal, Argentina, Chile e México. Embalada pelo sucesso, chegou a ter uma edição em espanhol, O Cruzeiro Internacional, com 300 mil exemplares. O editor Accioly Netto, no livro O Império de Papel – os bastitores de O Cruzeiro (Editora Sulina), conta que o projeto acabou sucubindo por falta de apoio do governo brasileiro e pressão do grupo americano Time-Life, que não gostou da concorrência.

Manchete surge em 1952 para fazer concorrência ao Cruzeiro

Neste ambiente de domínio de O Cruzeiro, a Manchete se propõe a enfrentá-lo. Em seu auge, a equipe de jornalistas e colaboradores tinha nomes como os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manoel Mandeira, os cronistas Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabrino, e a dupla de repórteres David Nasser e Jean Manzon, trazidos da concorrência. Sob o comando do gaúcho Justino Martins, ex-diretor da Revista do Globo de Porto Alegre, a Manchete acabou superando O Cruzeiro em circulação. “Justino era um craque, conseguia tornar qualquer assunto interessante”, escreveu o jornalista e biógrafo Ruy Castro. “Ninguém escolhia melhor o material para ilustração, ele tinha um olho clínico incrível, olho de cinemaníaco”, reconhece Arnaldo Niskier na obra Memórias de Um Sobreviente: A Verdadeira Ascensão e Queda da Manchete.

Samuel Wainer e Getúlio Vargas

Na visão ácida do jornalista Samuel Wainer, Adolpho Bloch era “apenas um gráfico, um excepcional gráfico, que até contribuiu para o embelezamento das publicações brasileiras. Mas só. Na história da imprensa do nosso país, Bloch é um acidente, um erro de revisão”. No entanto, com o sucesso da revista, ele conseguiu lançar a TV Manchete em 5 de junho de 1983. Torna-se uma rede nacional, fazendo concorrência com a Globo.

Em 1995, morre Adolpho Bloch e o grupo entra em decadência. Em 10 de maio de 1999 fecha a televisão e no ano seguinte a revista deixa de circular. Há muitas teorias para explicar a decadência da Manchete, uma delas era o caráter conciliador de Bloch. A Veja havia se firmado a partir da década de 70 como uma revista crítica e “a Manchete nunca falava mal de ninguém, otimista ao desvario, procurava o lado bom em tudo, o lado bonito e positivo”, reconhece o jornalista, cronista e escritor Carlos Heitor Cony, amigo pessoal de Adholfo Bloch e que teve gabinete na sede da revista até a morte de seu próprietário. Ela era “bela, superficial e eternamente individada”, conclui Matias M. Molina em artigo no Observatório de Imprensa, em 13/112012.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1950

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Mariani Santos

Post publicado em: 21 de maio de 2015