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Cai Perón, morrem Thomas Mann e James Dean em 55

Nas aulas de Técnica de Jornal de Guilhermino César, no curso de Jornalismo da PUCRS, no segundo semestre de 1955, três assuntos foram

Thomas Mann: “A Montanha Mágica” o levou ao Nobel de Literatura (Arquivo)

impactantes: a queda de Juan Domingo Perón, na Argentina, e as mortes do escritor alemão Thomas Mann, Nobel de Literatura, e do jovem ator do cinema americano James Dean, de apenas 24 anos. Entre os alunos na disciplina de Rádio Jornalismo, de Nilo Ruschel, estava Mendes Ribeiro, que três anos depois iria narrar o primeiro campeonato do Brasil na Suécia, em 1958, pela Rádio Guaíba.

Agosto, dia 12, morre em Zurique, na Suíça, Thomas Mann, um dos maiores escritores alemães, nascido no século XIX, em Lübeck, no norte do país, em 1875. Autor de “Morte em Veneza”, publicado em 1911, considerado um dos melhores textos em alemão, lançou em 1924 seu grande romance, “A montanha Mágica”. Cinco anos depois, em 1929, veio o reconhecimento da Academia com o Prêmio Nobel de Literatura. O último livro escrito por Thomas Mann foi “Dr. Fausto”, que chegou às livrarias em 1950. Cinco anos depois ele estava morto, aos 80 anos.

Setembro começa a ser marcado no calendário pela queda de Perón. Eleito presidente da Argentina em 1946, com 52% dos votos, para um mandato de seis anos, o general Juan Domingues Perón foi reeleito em 1951 com 62% de aprovação popular, tendo ao seu lado a ícone dos descamisados, Eva Perón. No entanto, quando ele começa o segundo mandado, em 4 de junho de 52, Evita está gravemente doente, vítima de câncer. Morre no dia 26 daquele mês.

Perón e Evita diante da massa heterogênea: “Os peronistas são todos” (Arquivo)

Em 19 de setembro de 1955, golpe militar depõe Perón. Ele exilou-se na Espanha e só volta a Buenos Aires em 1973 quando é novamente eleito presidente, em 23 de setembro, com mais de 60% dos votos. Foi empossado em 12 de outubro, mas fica menos de um ano no poder: morre no ano seguinte, em 1º de julho, com 78 anos de idade. Assume a vice-presidente, sua segunda mulher, Isabelita, deposta por golpe militar em 24 de março de 1976. Aos 84 anos, neste ano de 2015, ela vive na Espanha, em um autoexílio.

O peronismo permanece até hoje como o maior movimento político argentino, da esquerda à direita, como sempre foi. Conta o anedotário político que Perón, na sacada da Casa Rosada, durante um comício, explica ao embaixador americano a presença das várias facções na praça. Desde os montoneros de extrema esquerda, as massas populares, os liberais, progressistas, conservadores, pecuaristas, direitistas. “E os peronistas?”, pergunta o diplomada. “Os peronistas são todos”, responde o presidente.

James Dean: mito da rebeldia dos anos 50 morre aos 24 anos de idade (Arquivo)

O último dia de setembro de 1955 foi marcado pelo acidente de carro que matou o artista americano James Dean, na Califórnia, aos 24 anos. Depois de passagem por um filme em 1951, onde nem aparece seu nome nos créditos, trabalhos na televisão e a encenação da peça “O Imoralista”, de André Gide, no papel de um gay, ele estreia no cinema em 1954, com “Vidas Amargas”, baseada no romance “À Leste de Éden”, de John Steinbeck.

No entanto, quando James Dean se torna símbolo da rebeldia e angústias da juventude dos anos 1950, ele já está morto. O filme “Juventude Transviada” estreou semanas depois de sua morte e “Assim Caminha a Humanidade”, com Úrsula Andres, sua namorada durante as filmagens, só chega aos cinemas em 1956.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1955

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Mariani Santos

Post publicado em: 7 de outubro de 2015