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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Campeão mundial, tragédia do Manchester United e a guinada à esquerda em 1958

Pelé e Vavá: cada um marcam dois gols na final contra a Suécia

O primeiro campeonato mundial de futebol do Brasil, a tragédia que matou oito jogadores do Manchester United e uma guinada à esquerda na religião e na política, marcaram o ano de 1958. Na Igreja, assume o papa João XXIII que promove a Teoria da Libertação, Fidel Castro e “Che” Guevara vencem a Revolução Cubana e Leonel Brizola torna-se governador do Rio Grande do Sul com 60% dos votos.

Aos 89 minutos, o lateral-esquerdo Nilton Santos, da Seleção Brasileira, de camiseta azul, cruza para a área. Pelé entra correndo pelo meio e cabeceia. O goleiro Svensson, da Suécia, não alcança a bola e se agarra no poste direito para não cair. O juiz francês Maurice Guingue apita para o centro, quinto gol do Brasil, na goleada de 5 a 2 na final da Copa do Mundo de 1958, em Estocolmo, diante de 50 mil pessoas. O árbitro apita novamente e aponta para o meio do campo, final do jogo aos 90 minutos de partida, sem nenhum desconto. “Brasil campeão mundial”, grita o locutor Mendes Ribeiro, na rádio Guaíba, formado pela Famecos dois anos antes.

Em 6 de fevereiro, o comandante James Train tenta decolar pela terceira vez, em uma nevasca, no aeroporto de Munique, na Alemanha, onde fizera escala para reabastecer. Nas duas anteriores ele conseguira abortar a decolagem e os passageiros voltaram para o aeroporto. Desta vez, o bimotor desliza no gelo, não ganha altura, choca-se na cerca do aeroporto, atinge uma casa e a asa bate num caminhão de combustível que explode. Dos 38 passageiros e seis tripulantes, morrem 23 pessoas, entre elas, sete titulares e um reserva do Manchester United, que acabara de conquistar vaga na semifinal da Taça dos Campeões Europeus, hoje Premier League.

Morrem oito jogadores do Manchester United em acidente aéreo

O Futebol estava em festa e luto naquele ano de 1958. A primeira vitória brasileira em Copa do Mundo, de 10 a 29 de junho, na Suécia, começou com 3 a 0 contra a Áustria. A seleção ficou com 0 a 0 contra a Inglaterra e depois venceu os outros quatro confrontos. Dois a zero contra a então União Soviética e placar mínimo contra o País de Gales. Na semifinal e final, duas lavadas de 5 a 2, contra a França e os donos da casa. Na final, dois gols de Pelé e do centroavante Vavá e um de ponta esquerda recuado Zagalo.

O cerebral Bobby Charlton sobrevive à tragédia e volta a jogar

No acidente aéreo antes da Copa, a Inglaterra perdeu seu meio-atacante mais promissor, Ducan Edward, de 22 anos. Além dele, morreram os titulares do Manchester, Rober Byner, Eddie Colman, Jones Mark, David Pegg, Taylor Tommy e Whelan Liam. Também morreu o reserva Geoff Bent. Os ferimentos tiraram do futebol os titulares Jackie Blanchflower e Jonny Berry. Apenas continuaram jogando o goleiro Harry Gregg e o notável Bobby Charlton, cerebral meio-campista. Gravemente ferido, três meses depois ele voltou a jogar.

A tragédia com a equipe inglesa ocorreu depois de 3 a 3 do Manchester United com o Estrela Vermelha de Belgrado, na época capital da Iugoslávia, hoje da Sérvia. O empate classificou os vermelhos. No retorno à Inglaterra, o bimotor da Britsh Airways teve de fazer escala em Munique para reabastecer. Na decolagem, o comandante James Train e o co-piloto Kenneth Raymente não conseguiram controlar a aeronave na nevasca. Após o acidente, o time britânico ainda disputou a semifinal com o Milan, no Old Traffor, em Manchester, e venceu heroicamente por 2 a 1. Mas na partida de volta em Milão perdeu por 4 a 0. O campeão, naquele ano, foi o Real Madri, ao vencer os italianos na final em Bruxelas, na Bélgica, por 3 a 2.

À esquerda

González (ao centro), presidente do DCE-PUC, promove debate com Brizola (à direita) em 1958

Na religião e política, houve uma guinada à esquerda nos últimos meses de 1958. No dia 20 de setembro, o Diretório Central de Estudantes (DCE) da PUCRS, presidido pelo acadêmico de jornalismo Antônio González, promoveu no salão de atos do Colégio Rosário um debate entre os candidatos a governador, Leonel Brizola (PTB) e Walter Perachi Barcellos (PSD). Na eleição de 3 de outubro, Brizola elegeu-se governador, aos 36 anos, com 670.003 contra 500.944. Apesar de ser jovem, Brizola não era um neófito em política. Elegeu-se deputado estadual pela primeira vez na redemocratização do pós-guerra, em 1946, aos 24 anos, sendo reeleito em 1950. Em 1954, foi o deputado federal mais votado, com 103 mil votos. No ano seguinte, 1955, venceu a Prefeitura de Porto Alegre, com maioria absoluta: mais votos dos que os demais candidatos somados.

Papa João XXIII promove a Teologia da Libertação

Na madrugada de 9 de outubro, morre o Papa Pio XII. O reitor José Otão decreta luto de três dias da PUCRS. Eleito papa em 1939, às vésperas de eclodir a Segunda Guerra Mundial, ele era um religioso conservador, pacifista, capaz de atos de heroísmo, como acolher na Santa Sé, em igrejas e conventos milhares de refugiados e judeus, provocando a ira de Adolf Hitler, que ameaçou sequestrá-lo. O pontífice chegou a supor que a ameaça se concretizasse e planejou que se isso acontecesse, um novo papa deveria ser escolhido em outro país, provavelmente Portugal. No entanto, só morreu em 58 e foi substituído pelo papa mais à esquerda da história da Igreja, João XXIII. Já com 77 anos, simpático, sorridente e bondoso, assume em 28 de outubro e se notabiliza por promover a Teologia da Libertação, a Igreja voltada para os pobres.

Guevara e Fidel vencem a Revolução Cubana no último dia do ano

A Revolução Cubana, tendo à frente o advogado Fidel Castro, nascido no pequeno povoado de Birán, no interior de Cuba, e o médico argentino Ernesto “Che” Guevara, começou no sudoeste da Ilha, na Sierra Maetra, em 1956, e em 31 de dezembro de 58 os revolucionários tomaram a cidade de Santa Clara, a 268 quilômetros da capital. O ditador Fulgencio Batista não esperou o desfecho e na virada do ano fugiu para a República Dominicana. Caiu uma ditadura corrupta e sanguinária e seguiu-se uma outra ditadura comunista isolada, parada no tempo, sofrendo boicote dos Estados Unidos, com supressão da liberdade e uma sucessão de poder esdrúxula até para as monarquias, onde um irmão passa o poder para o outro, exatamente 40 anos depois. De Fidel a Raul Castro.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1958

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Milena Nyland

Post publicado em: 14 de dezembro de 2015