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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Ema Belmonte foi caloura no ano de criação da Famecos

A formatura de Ema em 1967

Integrante da turma de calouros de 1965, quando a Escola de Jornalismo da PUCRS foi transformada em Faculdade dos Meios de Comunicação Social (Famecos), a jornalista Ema Terezinha Reginato Belmonte, repórter do Correio do Povo há 48 anos, desde o tempo de estudante de Jornalismo, trocou o bloco de pauta e foi a entrevistada dos alunos da disciplina Comunicação e Memória Institucional do curso de Relações Públicas da Universidade. A coletiva ocorreu no dia 6 de maio de 2015, cinquenta anos depois de sua primeira aula na recém-criada Famecos.

Aos 73 anos de idade, Ema conta que a motivação para fazer jornalismo veio quando aconteceram os Jogos Olímpicos Universitários Mundiais (Univesíada), em Porto Alegre, em 1963. “Eu gostava muito de esporte, e comecei a ir a tudo, vários esportes, eu estava sempre envolvida e via a imprensa e os alunos de jornalismo trabalhando como voluntários, e eu ouvia no rádio as entrevistas dos estudantes sobre os jogos e achei aquilo tão lindo. Foi ali que eu disse: Sabe de uma coisa, eu vou tirar jornalismo! Era tão bonito ver a pessoa envolvida em todas as atividades, participando de todas as competições e entrevistando um e outro, não sei quantos países eram. Foi ali que me despertou!”

A entrevista da ex-aluna 50 anos depois

Ema iniciou o curso no ano de criação da Famecos, 50 anos atrás, quando as aulas eram ministradas ainda no Colégio Rosário e o enfoque principal era a teoria, pois não havia salas especiais e equipamentos para desenvolver a parte prática, que os alunos buscavam nos estágios. Ela fez questão de sublinhar o projeto de estágio criado pelo diretor de redação Walter Galvani na Folha da Tarde, sua porta de entrada no jornalismo profissional.

De forma descontraída, a ex-aluna lembra que a disciplina da PUC era rígida naquela época. As mulheres, por exemplo, não podiam usar calças compridas, somente vestidos. Para ilustrar, lembra de um dia chuvoso em que as colegas Sinara (Hack), Olenca (Kampff) e Cleusa (Medeiros) entraram na aula de capas de chuva e calças arregaçadas, para parecer que usavam vestido. “Para vocês verem a mudança que houve nestes 50 anos…”, sorri.

Ela se reconhece como uma privilegiada por ter vindo da era da máquina de escrever, quando as informações eram raras e era preciso estar no local para realizar a reportagem. Diferente da atualidade, as entrevistas eram realizadas pessoalmente, não por telefone como é hoje, havia uma preparação importante para o trabalho.  Para Ema, as novas tecnologias vieram para somar e facilitar o trabalho, porém perdeu-se a credibilidade da informação, pois todo mundo possui um celular com capacidade para enviar qualquer notícia em tempo real, antigamente era preciso estar no local do acontecimento, chamar o fotógrafo, esperar o deslocamento dele e por vezes, se perdia a notícia. “Hoje em dia, os recém-formados chegam sem gana. As pessoas estão muito conformistas. Antigamente havia o furo de reportagem, hoje em dia, tem que mandar a entrevista por e-mail para a fonte, para haver uma avaliação, com ajustes…”, afirma a jornalista.

Ema Belmonte também teve passagens pelas assessorias de imprensa do Palácio Piratini, Ministério da Previdência e Radiobrás, em Brasília. Atualmente trabalha na editoria de Ensino, do jornal Correio do Povo. Ela continua fazendo o que mais gosta: reportagem. Curiosa por natureza, nunca encontrou dificuldades de se encontrar pautas, ou como ela diz, “furos de reportagem”, que costumavam aparecer frequentemente. Segundo ela, os jovens precisam sair mais de trás dos computadores, irem para a rua, correr atrás de novas pautas. “O que está faltando é um pouco mais de iniciativa da nova geração de jornalistas”, critica.

Seus colegas de profissão a reconhecem como uma profissional muito dedicada, positiva e com uma grande energia que a faz ser uma “eterna entusiasta”. Sempre solícita e simpática, gosta de ter boa convivência e costuma levar um pacote de biscoitos para seus colegas. Esse carinho a faz ser conhecida como a querida “Tia Ema”.

Quando questionada da “morte” do jornal impresso e uso, exclusivamente, das telas, ela conclui que pela falta de tempo das pessoas é provável que diminua bastante, mas deixar de existir não, porque as pessoas gostam de guardar recortes. Conta que no jornal onde trabalha, por ter mais de 100 anos de história, é fantástico passar um tempo no arquivo e acompanhar como a matéria publicada tomava forma dia após dia, pois na medida que o tempo passava chegavam mais informações sobre o fato e era possível complementar a matéria.

A coletiva para os alunos da disciplina de Comunicação e Memória Institucional do Curso de Relações Públicas

Durante a coletiva, Ema abordou assuntos interessantes sobre sua trajetória que chamaram a atenção do grupo. A reportagem que mais marcou sua carreira foi a cobertura do incêndio das lojas Renner, em 26 de abril de 1976, que causou a morte de 40 pessoas no centro de Porto Alegre. Ela estava gravida e quando chegou ao local se deparou com a tragédia: o prédio ardendo em chamas, desespero, mortos, pessoas queimadas fugindo do fogo. Hoje quem ela gostaria de entrevistar, se tivesse a oportunidade, era o Papa Francisco, “por ele ser tão acessível e receptivo com as pessoas”.

Com o entusiasmo presente em toda a entrevista, afirma: “Eu sou memória viva, eu estou com 48 anos de Caldas Junior, Folha da Tarde e Correio do Povo”. Quando questionada sobre a sua paixão, não hesita em citar três: a família, o jornalismo e o Grêmio. E para encerrar, deixa uma dica importante para os estudantes de jornalismo que desejarem seguir na área da reportagem: “Aquele que pretende trabalhar na função de repórter, que eu adoro e acho a parte mais importante do jornalismo, afinal é o canal da comunicação, tem que ter entusiasmo, gostar e estar sempre antenado! ”

Ema Belmonte e a professora Cláudia Moura

Com todas as tecnologias que estão disponíveis, um grande problema que a sociedade enfrenta é o excesso de informação. Até que ponto elas são confiáveis? Para Ema, a diferença vem na credibilidade do autor e o realismo do fato, pois, por justamente todos possuírem um celular com câmera, se acham jornalistas. Por outro lado, ela também enxerga o lado positivo de que hoje em dia, nada escapa. Tudo o que acontece de alguma forma é registrado e repassado ao público.

 

A conversa descontraída, que durou uma hora e 30 minutos, proporcionou um retorno ao passado e permitiu que os alunos refletissem sobre o início da Famecos e, de certa forma, da evolução da área de Comunicação no país. Os alunos presentes ficaram com uma grande lição trazida por Ema: ser um profissional que exerce a profissão com entusiasmo e dedicação.  Com tantos avanços da tecnologia que Ema passou pela sua vida profissional, ela concluiu a coletiva, convocando os alunos para fazer uma selfie.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1960

Ano de referência: 1965

Produção do material sobre este evento: Alessandra Engel Schaefer, Andressa Brisola Delevati, Bruna Costa Leite, Camila de Boer Ribeiro, Camila Requia Chassot, Eduarda da Silva Cabreira, Ellen Leticia Capponi Benin, Gabriela Knippling do Amaral, Giulia Pereira Vargas, Isabela Dias Vargas, Jéssica da Rosa Bezzerra, Juliana Dalla-Lana Silvera, Leonardo Cason Simonetti, Leticia Carvalho Lessa, Luana da Silva Girardi, Mairy Andrade do N. Neta, Mariani Rodrigues dos Santos, Marta de Sampaio Grahl, Melanie dos Santos Caffarate, Nadiele Bortolin Rodrigues, Pamela Witt Nunes, Pedro Henrique de B. Becker, Rafaella Fraga Lopes, Raissa Grandini Silva, Rebeca Nogueira D'Alberto, Thaís Gonçalves da Silva e Vitoria de Figueiredo Raupp

Edição do material: Tibério Vargas

Dados cadastrados por: Mariani Santos

Post publicado em: 29 de junho de 2015