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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Incendiados prédios da Farroupilha, Difusora e Diário de Notícias

A divulgação do suicídio do presidente Getúlio Vargas, às 8h da manhã de 24 de agosto de 1954, desencadeou um quebra-quebra nas principais cidades brasileiras. Em Porto Alegre, 40 prédios foram depredados, entre eles, incendiados os estúdios das rádios

Incêndio dos estúdios da Farroupilha e Difusora, no Viaduto Otávio Rocha (Arquivos Históricos)

Farroupilha e Difusora e a redação do jornal Diário de Notícias, órgãos dos Diários Associados, que o povo chocado e enfurecido identificou como responsáveis no Rio Grande do Sul pela campanha da mídia para desestabilizar o governo trabalhista. No centro da questão, a estratégia nacionalista de Vargas que dificultava ou barrava investimentos estrangeiros no país, encampava empresas e criava grandes conglomerados estatais, como a Siderúrgica Nacional e Petrobras.

Naquela época, a Farroupilha, há dois anos a rádio mais ouvida da cidade, com radionovelas e programas de auditórios, fechava suas transmissões à meia-noite. Na madrugada de 24, o diretor-geral dos Diários Associados no Estado, Moacir Nobre, entra nos estúdios às 3h e manda recolocar a PRH-2 no ar. “A coisa está preta no Rio de Janeiro”, ele determina ao jornalista Segundo Brasileiro dos Reis que fique atento à escuta das emissoras do centro do país. Duas horas depois, na falta de novas informações, a transmissão volta a ser interrompida.

Somente às 8h, a voz embargada de Eron Domingues, em edição extraordinária do Repórter Esso, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, lê a síntese noticiosa que foi para a história:

– E atenção, atenção. Rio, urgente. O presidente Getúlio Vargas acaba de suicidar-se com um tiro no coração. Junto ao seu corpo foi encontrado um bilhete: “À sanha dos meus inimigos, deixo o legado da minha morte”. E atenção que vamos repetir a notícia…

Um dos primeiros alvos no povo enfurecido foi a redação do Diário de Notícias (Arquivos Históricos)

O radialista Lauro Hagemann, que lia o Esso na Farroupilha, repetiu o boletim da Nacional. No entanto, a emissora continuou com sua programação normal, com músicas e a radionovela da manhã, enquanto o povo nas ruas chorava e saqueava. Na Rua da Praia e adjacências já queimavam sedes de empresas estrangeiras, o diretório do Partido Libertador (PL), de oposição a Getúlio, e a redação do Diário de Notícias no Largo dos Medeiros.

A multidão enfurecida subiu a Avenida Borges de Medeiros. O alvo era o casarão no alto do viaduto Otávio Rocha, na esquina da Duque de Caxias, número 1304, onde estavam instalados os estúdios da Farroupilha, no primeiro andar, e da Difusora, no segundo, ambas do megaempresário de comunicação Assis Chateaubriand, crítico do governo. Na primeira tentativa de invasão foi impedida às 9h com móveis e outras barreiras, levantadas pelos radialistas e demais funcionários. Uma hora depois, vândalos com galões de gasolina transpõem os obstáculos. Começa o fogo. O radialista Gerson Borges, da Difusora, se joga do 2º andar e sofre grave fratura. O incêndio destrói 20 mil discos, 30 radionovelas completas e gravações inéditas. Começa a decadência dos Diários Associados no Rio Grande do Sul.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1954

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Mariani Santos

Post publicado em: 31 de agosto de 2015