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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Jornalistas da Folha da Tarde se matricularam no curso da PUCRS

Explosão da bomba atômica em 1945

Jornalistas da redação da Folha da Tarde, o vespertino de Porto Alegre em 1952, se matricularam no recém-criado curso de Jornalismo da PUCRS. Participaram da primeira turma o secretário de redação Adil Borges Fortes da Silva, o articulista Carlos Reverbel, o cronista João Bergmann, o setorista Firmino Bimbi, o redator Dante D’Ângelo e o repórter de cidades Raul Castilho. A adesão de profissionais prestigiou a iniciativa da Universidade de qualificar o exercício do jornalismo.

Capa do livro Olha a Folha, de Walter Galvani

O escritor e jornalista Walter Galvani, no livro “Olha a Folha”, grito de guerra dos jornaleiros que vendiam o vespertino da Caldas Júnior, que circulou de 1936 a 1984, conta como surgiu a Folha da Tarde. Não tem nenhuma inspiração no Clarín, como até estudiosos de jornalismo informam, pois o tabloide de Buenos Aires só será fundado nove anos depois, em 28 de agosto de 1945.

Galvani, que foi diretor da Folha, revela que Breno Caldas, então com 25 anos, havia assumido a direção da empresa em 18 de dezembro de 1935. Formado em Direito, criou-se dentro do Correio do Povo e seu pai o fez a passar por todas as áreas, desde revisor, repórter de polícia, administrador. Nos primeiros dias de 36, o jornalista Alcides Gonzaga encontrou no gabinete do novo diretor para cumprimentá-lo. Estava retornando de férias em Buenos Aires. Como todo o jornalista, trouxe jornais na bagagem.

– Breno, dá uma olhada nestes jornais. A coqueluche em Buenos Aires é a Crítica.

Caldas pega o tabloide e comenta:

– Como os vespertinos de Londres.

Morte de Peron na manchete de 1° de julho de 1974

Depois de um minuto de silêncio, ele deposita seus olhos de aço azulado – como descreve Galvani – no interlocutor e sugere:

– Alcides, o que achas da gente entrar com um vespertino?

– Bela ideia, Breno! – concorda aquele que se tornou um dos “homens de ouro” do novo diretor.

O suicídio de Getúlio Vargas em 1954

A escolha do nome “Folha” foi para passar uma idéia de leveza. Pouco mais de dois meses depois, a versão gaúcha do tabloide argentino Crítica estava nas bancas. Em 26 de abril de 1936, pequeno avião sobrevoou Porto Alegre, puxando a faixa: “Amanhã – Folha da Tarde”

Atualizado e leve, a Folha não fazia concorrência ao Correio do Povo, jornal de referência, sisudo e matutino. O vespertino da Caldas Junior circulava perto do meio-dia, com todas as notícias da noite anterior, madrugada e manhã. Fatos marcantes eram publicados no dia em que ocorriam, com exclusividade, como a explosão da bomba atômica em 6 de agosto de 1945, no Japão; o suicídio de Getúlio Vargas em 24 de agosto de 54; a ameaça ao avião de Jango na Legalidade, em 1° de setembro de 1961; edição extra de 80 mil exemplares no assassinato de Kennedy em 22 de novembro de 1963 e a morte de Perón em 1° de julho de 1974.

Edição extra de 80 mil exemplares no assassinato de Kennedy em 1963

De 5 de setembro de 1949 a 17 de julho de 1963, circulou separada a Folha Esportiva, na segunda-feira, pela manhã, exclusivamente com as notícias do esporte.

Com forte apelo popular na manchete de capa, sem vender assinaturas para não fazem concorrência ao Correio, a Folha vivia apenas da venda avulsa em bancas de jornais, mas principalmente por jornaleiros nas ruas, paradas de ônibus e bonde. O vespertino representava, diziam, o dinheiro que pingava diariamente na tesouraria da empresa.

Em 1974, quando Breno Caldas fica sabendo que a RBS iria lançar um vespertino para concorrer com a Folha, ele chama em seu gabinete o diretor de redação Edmundo Soares e lhe diz:

– Vamos lançar imediatamente duas edições da Folha, uma antes e outra logo depois do novo jornal da Zero Hora.

A última edição da Folha em 16 de junho de 1984

Em 15 de junho, o horário da primeira edição da Folha foi recuado em uma hora, em torno das 10h da manhã, e às 16h passou a circular a Folha Final. Algumas semanas depois, quando o Hoje circulou pela primeira vez, saiu prensado entre as duas edições do vespertino da Caldas Junior. Durou apenas nove meses. A última edição da Folha é em 16 de junho de 1984, um sábado. No domingo, o Correio, com 90 mil assinantes, deixaria de circular porque a empresa faliu, sem dinheiro nem para comprar o papel para a impressão do dia.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1952

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Milena Nyland

Post publicado em: 8 de maio de 2015