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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Presidente bossa nova assume em 1956 para fazer 50 anos em 5

O slogan político histórico “50 anos em 5” levou à vitória em 1955 e um general garantiu a posse de Juscelino Kubitschek (social democrata) e

Jango e JK: a última posse no Palácio do Catete, no Rio (Memória)

João Goulart (trabalhista) como presidente e vice da República, em 31 de janeiro de 1956. Pela última vez, a cerimônia foi realizada no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, onde dois anos antes Getúlio Vargas se matara. JK construiu Brasília em seu governo desenvolvimentista. Numa onda de otimismo e nacionalidade, surgiu um dos principais movimentos musicais brasileiros e ele ficou conhecido como o “Presidente Bossa Nova”.

Uma ampla base de apoio, do centro à esquerda, inclusive com a participação dos comunistas, deu 3 milhões de votos (35%) a Juscelino (coligação PSD-PTB), suficientes para vencer o candidato da direita, general Juarez Távora (UDN), com 2,6 milhões. O candidato de extrema direita Plínio Salgado, simpatizante do fascismo, com 714 mil votos, foi teoricamente determinante da derrota da UDN. No entanto, a eleição teve outro componente importante. O ex-governador de São Paulo, Ademar de Barros, que também concorria no campo populista, fez 800 mil votos, tirando votos de JK.

O grande vencedor da eleição de 55 foi o candidato à vice-presidente João Goulart. Naquela época, a votação era em separado e ele obteve 3,5 milhões de votos (44%).

Apesar do resultado das urnas, sob o argumento de que Juscelino não chegara a mais de 50% dos votos, não exigidos na época, sem previsão de segundo turno, começou a ser articulado um golpe pela UDN para evitar a posse. O presidente Café Filho participou da trama. Ele assumira quando do suicídio de Vargas, e no qual Getúlio nunca confiou, sendo lhe imposto como vice do PSP (Partido Social Progressista) pelo governador paulista Ademar de Barros, em troca de seu apoio na eleição de 1950. Para se omitir diretamente do golpe, mas abrindo caminho para a ruptura democrática, ele renunciou em 8 de novembro de 1955, “por motivos de saúde”, mas só morreu 15 anos depois, em 20 de novembro de 1970. Assumiu a Presidência o deputado mineiro Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados, disposto a não dar posse ao presidente eleito.

O golpe não se consumou pela ação do ministro da Guerra, general Enrique Teixeira Lott, que ficou a favor da legalidade, respaldado pelo Congresso Nacional, que aprovou o impeachment do presidente interino em apenas três dias, acusado de “conspiração”. No dia 11 de novembro, ele foi substituído pelo vice-presidente do Senado, o catarinense Nereu Ramos, que entregou a faixa de Presidente a JK em 31 de janeiro de 1956, como previa a Constituição.

Lott, um militar nacionalista, responsável por abortar o golpe, continuou como ministro da Guerra no governo de Kubitschek. Ele se opôs ao reatamento de relações comerciais com a comunista União Soviética, para facilitar a exportação de café, em 1958, “por questões de segurança”, mas naquele mesmo ano, em agosto, disse na cara do secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles, em visita ao Brasil, de olho no petróleo: “A Petrobrás é intocável.” Em 1959 foi para a reserva, no posto de marechal, mas continuou comandando as forças armadas. Ele só se desincompatibilizou do cargo em 11 de fevereiro de 1960, para concorrer à Presidência pelo PTB, mas foi derrotado por Jânio Quadros, que renunciou após sete meses no poder.

Governo progressista

Líderes de grande carisma popular, o mineiro JK e o gaúcho Jango chegaram ao Palácio do Catete, no Rio, com enorme aclamação popular, naquele dia 31 de janeiro de 1956. As bancadas do PSD e do PTB na Câmara dos Deputados e no Senado deram sustentação a que Kubitschek iniciasse um governo reformador.

Prefeito nomeado de Belo HoriHorizonte em 1940, ainda durante a ditadura Vargas, e governador eleito de Minas Gerais em 1950, Juscelino elaborou um Plano de Metas, dividido em seis grandes projetos: energia, transportes, alimentação, indústria de base, educação e a construção de

O Alfa Romeu italiano batizado com as iniciais do presidente: JK (Divulgação)

Brasília. Antes da posse, ele viajou para os Estados Unidos e a Europa para apresentar a intenção do novo governo de criar fábricas no Brasil, inclusive com capital estrangeiro, “para gerar empregos e substituir as importações”. Para tanto, o governo se prontificava em gerar energia elétrica com novas usinas e abrir estradas para evitar “pontos de estrangulamentos” da produção.

O carrancudo FNM: primeiro caminhão fabricado no Brasil (Memória)

Um dos principais objetivos era a rápida industrialização do país, a partir da indústria automobilística. “Os Anos Dourados”, como ficou conhecida a época, começa com um gesto simbólico do governo ao fazer a Fábrica Nacional de Motores, criada em 1940, ainda durante a ditadura Vargas, produzir os caminhões FNM, pesados e carrancudos. O auge da fábrica foi em 1960, quando ela trouxe o Alfa Romeu italiano, lançado em Turim em 1957, e batizado no Brasil com as iniciais do presidente: “JK”.

O Jeep Willys, que começa a ser montado no Brasil em 54, ganha peças nacionais e já em 56, no primeiro ano de governo, é lançada a caminhonete Rural. Em 1959, a Willys obtém a licença para fabricar no país o pequeno Dauphine, da Renault, que a Ford rebatizou em 1962 de Gordini e o fabricou até 1967. Ainda no governo JK, em 1960, surge o automóvel luxuoso Aero Willys, que os detratores diziam que tinha motor de jipe.

JK desfila no primeiro Fusca brasileiro (Divulgação)

O primeiro ano dos cinco, para fazer o Brasil avançar 50, foi alucinado na indústria automobilística. Pouco meses depois da posse, já era fabricado, com sotaque nacional, o alemão DKW, em versões sedan, perua e jipe. A Ford trouxe dos Estados Unidos, no ano seguinte, a picape F-100, sucedida no passar dos anos pela F-1000, F-250 e Ranger.

Contudo, a grande vedete acabou sendo a fábrica da Wolkswagen, inaugurada em São José dos Campos, em 1959. A Kombi já era montada no Brasil desde 1956. Na inauguração de nova unidade, o presidente desfilou num Volks 1959 conversível, ano do primeiro Fusca fabricado no Brasil.

Muita pressa

A pressa era uma aliada de Kubitschek para cumprir seu Plano de Metas. Já em 15 de março de 1956, criou a Novacap, empresa pública para tirar o papel uma ideia que começou num mapa do cartógrafo do italiano Franceco Tosi

Os candangos na construção relâmpago de Brasília (Divulgação)

Colombina, que concebeu em 1749, para o reino de Portugal, a capital do Brasil no Planalto Central, onde mais tarde seria o estado de Goiás.

O arquiteto Oscar Niemeyer e o urbanista Lúcio Costa foram responsáveis pelo projeto e as obras começaram em novembro do primeiro ano de governo, não havia tempo a perder para completar 50 anos em cinco. A terraplenagem e alicerces dos primeiros prédios iniciou com 2.500 operários e em pouco tempo eram mais de 60 mil, os chamados candangos, vindos de todo o país, especialmente nordestinos. Moravam em acampamentos, se alimentavam de marmitas distribuídas pelas empreiteiras, e se envolviam em brigas, uma espécie de “velho oeste” americano no cerrado do Brasil Central.

Bossa Nova

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, o samba desceu dos morros e nos bares de Copacabana, no chamado Beco das Garrafas, em 1957, ganhou uma batida leve, elitizada, com influência do jazz e blue, onde se destacou a nova forma de cantar intimista de João Gilberto. A consagração do estilo acontece em 1958, com o lançamento de “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Juscelino Kubitscheck, moderno e sofisticado, foi logo associado ao novo samba e passou a ser chamado de “Presidente Bossa Nova”.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1956

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Mariani Santos

Post publicado em: 28 de outubro de 2015