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Doris Haussen, o vínculo com o Rádio

Coletiva para alunos de Estágio Interno em Relações Públicas em 6 de junho de 2013.

Doris Fagundes Haussen formou-se em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS e dois anos depois retornou à Universidade no cargo de professora. Leciona Radiojornalismo na Graduação desde então, tendo sido coordenadora do curso de Jornalismo e vice-diretora da Faculdade. Doris participou também da equipe que criou o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUCRS, e foi a sua primeira coordenadora, em 1994, sendo professora do PPGCOM desde aquele ano.

Depois de sua formação inicial em Jornalismo, estagiou na Deutsche Welle, na Alemanha, fez Especialização em Rádio, no Equador, Mestrado (Rádio e criança: um estudo sobre a ausência de programação infantil nas emissoras de Porto Alegre, ano de 1988) e Doutorado (Rádio e política: tempos de Vargas e Perón, ano de 1993), ambos na Universidade de São Paulo (USP). Além disso, desenvolveu uma pesquisa de Pós-Doutorado sobre o rádio no Mercosul e na União Europeia, na Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha (1997). Durante sua trajetória, orientou 19 Dissertações de Mestrado e 11 Teses de Doutorado e coorientou uma tese de doutorado. Publicou onze livros (como autora e organizadora) e vários artigos em revistas científicas da área, no país e no exterior. Atualmente é bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), tendo também implantado o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídias Sonoras da Intercom (1991).

Ela nasceu em Porto Alegre, mas foi criada no interior de São Luiz Gonzaga (hoje município de Bossoroca), terra natal do pai. Desde pequena o rádio foi uma de suas paixões, já que em sua família era um gosto comum, e por morar próximo à região da fronteira, ouvia emissoras tanto brasileiras quanto da Argentina e Uruguai. Mesmo saindo de lá e retornando para Porto Alegre para estudar, a ligação com o rádio a acompanhou por toda sua trajetória. Doris é casada, tem dois filhos e dois netos, e em seu tempo livre gosta de ler, viajar e praticar alguma atividade física.

“Quando eu olho para trás, na trajetória profissional, não tenho dúvidas: a criação do pós-graduação da Famecos, juntamente com outros colegas, foi o trabalho da minha vida”.

“Nos anos 90, a PUCRS previu e desenhou o seu futuro com o projeto Mil doutores para o ano 2000’ que colocou a universidade em outro patamar”.

“A memória sempre esteve presente na minha vida, pois o veículo que sempre estudei foi o rádio. E o rádio é um veículo de memórias”.

 

ENTREVISTA

Núcleo de Memória: Professora Doris, quando e como começou o seu interesse em dar aulas?
Doris Fagundes Haussen:
Fui aluna da PUCRS. Formei-me e, posteriormente, retornei para ministrar aulas de graduação em radiojornalismo a convite do professor e radialista Carlos Alberto Carvalho, que hoje está na UniTV. Também ocupei os cargos de coordenadora de Jornalismo e o de vice-diretora. Depois, fiz o mestrado e o doutorado na USP, em São Paulo. Em 1992, a PUC estabeleceu três prioridades na universidade: a comunicação, a medicina e a informática, visando à estruturação do pós-graduação em nível stricto sensu, ou seja, mestrado e doutorado. O curso de jornalismo caracterizava-se por privilegiar a relação com o mercado de trabalho. Com o estabelecimento do pós, aprofundaríamos o conhecimento. Cabe ressaltar que, naquela época, já existia o curso de especialização em jornalismo. Então, com o apoio da universidade, muitos professores saíram para fazer o pós-graduação. Entre eles, as professoras Claudia Moura, Cleusa Scroferneker, Ana Carolina Escosteguy, Eliana Antonini, Roberto Simões e Luiza Carravetta. A partir desse grupo, o pós-graduação da Famecos foi projetado em 1993, com início em 1994. Naquele mesmo ano, a Unisinos também criou o seu mestrado em comunicação, e no ano seguinte, em 95, a UFRGS, a Fabico. Então, era um contexto que, inclusive, estava sendo pressionado pelo mercado, vamos dizer assim, de profissionais e professores e futuros pesquisadores que precisavam ter na região sul um polo na área da comunicação. E num lance inovador, a universidade, incentivada pelo Reitor, Ir. Norberto Rausch, e pelo então pró-reitor em pesquisa e pós-graduação, Monsenhor Urbano Zilles, lançou o projeto ‘Mil doutores para o ano 2000’, o que proporcionou um salto de qualidade para a PUCRS, que planejou, previu o futuro.

Núcleo de Memória: Quando foi seu primeiro contato com essa área de ‘memória’?
Doris Fagundes Haussen:
Sempre me interessei muito pelo assunto, porque o veículo que eu gosto, que é o rádio, é um veículo de memórias. Ele nasce no início do século XX. Então, quem estuda rádio e vai pesquisar alguma coisa, sempre remete a um passado. E essa curiosidade se intensificou muitíssimo com o meu doutorado, pois estudei desde a década de 20 no Brasil e na Argentina. Como se constituiu o governo Perón, como se constituiu o governo Vargas, e qual era o papel do rádio para esses dois governantes. Ao fazer isso, a história entrou direto na minha vida. E, a partir desse estudo, fiz muitos outros buscando história.

Núcleo de Memória: Quais as áreas desenvolvidas pelo pós-graduação da Famecos hoje?
Doris Fagundes Haussen:
Uma é mais dedicada a tecnologias do imaginário, digamos assim, e a outra às práticas que envolvem políticas e organizações. Elas vão evoluindo, se transformando. Portanto, significa que não ficarão estanques. De repente, podem até se desmembrar no futuro.

Núcleo de Memória: Qual foi a maior dificuldade que vocês tiveram com o estabelecimento do programa?
Doris Fagundes Haussen:
Olha, o início foi difícil. Nós todos estávamos tateando porque o grupo era novo, a não ser o Roberto Simões, um Sênior, nós todos éramos um grupo de muito boa vontade, muito impetuoso para botar a andar. Nós tínhamos uma consciência de que precisava ser feito, que precisava dar um espaço para evoluir o conhecimento aqui dentro. Se parasse só na graduação, estaríamos estagnando. Tanto que hoje cada vez nós temos alunos mais jovens, que já estão saindo da graduação e buscando outros caminhos aqui no pós. E isso era uma coisa que não existia, não tinha como fazer isso aqui no Sul. Então, esse ímpeto pioneiro trouxe consigo seu ônus. Nós tivemos que conseguir bolsas em cursos de mestrado e doutorado.

Núcleo de Memória: Há muitos estudantes de fora de Porto Alegre no pós-graduação?
Doris Fagundes Haussen:
Nós temos muitos estudantes do interior do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná. Mesmo assim, aparecem estudantes de outras regiões como do Centro-Oeste, do Nordeste. Entretanto, mais para o centro do país, em São Paulo, houve uma certa estabilização da demanda. Há vários programas lá. Quando nós criamos o nosso aqui, no Brasil havia três programas que tinham Comunicação, hoje são mais de 40.

Núcleo de Memória: Dentre tantas histórias, teve alguma que lhe marcou mais?
Doris Fagundes Haussen:
Olha, eu diria que foi essa empreitada de criar o curso. Eu realmente, quando olho hoje, assim, e vejo o resultado disso tudo, eu penso: “olha, isso foi o trabalho da minha vida”. Eu e os meus colegas de coordenação do curso. Foi um lance, um ímpeto sem ter condições. Se a gente fosse pensar ‘bom, nós temos que ter um corpo de doutores estabelecido para nos atirar nessa jogada’, não teria saído. Foi na cara e na coragem, apostando que os nossos professores iriam fazer seus cursos e tendo esse apoio da Reitoria para contratar outros professores necessários, convidar professores para vir dar aula aqui. A aula inaugural do curso, em 94, foi o com Monsenhor Urbano Zilles, e o primeiro seminário que a gente promoveu aqui, em março daquele ano, já foi com a Ana Maria Fadul, que foi minha orientadora em São Paulo.

Núcleo de Memória: Qual a evolução do aumento da procura de 1994 até os dias de hoje?
Doris Fagundes Haussen:
Um dos nossos receios foi logo superado: teremos público? Mas isso logo passou. Eu lembro que na primeira turma nós tivemos mais de 40 candidatos. Eram 15 vagas. Hoje nós estamos com quase 200 pessoas procurando por essas 20 vagas de doutorado e 20 de mestrado disponíveis.

 

Curso(s): ,

Década(s) de referência: 1970, 1980, 1990, 2000, 2010

Vínculo Famecos: Aluno, Professor, Coordenador

Graduação em: Comunicação Social Jornalismo, PUCRS (1974).

Especialização em: Formação de Prof de 2º Grau, PUCRS (1975); Comunicação Social, PUCRS (1979); Curso Taller de Producción de Radio, Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para America Latina (1984).

Mestrado em: Ciências da Comunicação, USP (1988).

Doutorado em: Ciências da Comunicação, USP (1992). Pós-Doutorado, Universitat Autònoma de Barcelona - UAB (1997).

Produção do material sobre esta personalidade: Memória Famecos

Edição do material: Marisa Soares, Tiberio Vargas Ramos e Luciano Klockner

Dados cadastrados por: Marisa Soares, Silvana Sandini e Patrícia Prestes de àvila

Post publicado em: 9 de março de 2014