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Francisco Rüdiger e a teoria crítica

Francisco Rüdiger

Francisco Rüdiger (foito: Natália Gabineski).

Francisco Ricardo Rüdiger formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1980. Seis anos depois, passou a lecionar na Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde atua até hoje. É mestre em Filosofia (1987) pela UFRGS e doutor em Ciências Sociais (1995) pela Universidade de São Paulo (USP). Também leciona no Departamento de Filosofia e nos cursos da área de Comunicação da UFRGS.

Em 1996, foi contratado como professor-orientador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS (PPGCOM/PUCRS), onde ministrou as disciplinas Comunicação e Teoria Crítica e, atualmente, ensina Crítica do Pensamento Tecnológico. Rüdiger assinala que a pós-graduação é de natureza acadêmica e visa formar pessoal altamente qualificado para instituições de nível superior, no plano da docência e da pesquisa. Destaca que houve um avanço na infraestrutura da pós-graduação ao longo de sua existência, principalmente na parte de organização.

As temáticas apresentadas pelo PPGCOM são variadas, mas o professor ressalta algumas ênfases, como os estudos de comunicação e política, de novas tecnologias e de cinema. Em relação a este último, o interesse surgiu após as leis de incentivo à cultura, promulgadas no governo de Fernando Henrique Cardoso, que resultaram em uma retomada da produção cinematográfica brasileira e, consequentemente, das pesquisas acadêmicas sobre esta.

Rüdiger é autor de treze obras relacionadas ao seu campo de especialização, entre as quais estão “Cibercultura e pós-humanismo”, publicada em 2008, e “Martin Heidegger e a questão técnica”, de 2006. Colabora regularmente para revistas acadêmicas e, no ano 2000, recebeu o prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, instituído pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que busca reconhecer a qualidade de trabalhos acadêmicos realizados em universidades e centros de pesquisa.

“A cobrança da produção acadêmica em termos quantitativos e mecânicos é um completo equívoco pelo menos na área de comunicação. A preocupação deve ser qualitativa. De, realmente, preparar trabalhos que tenham uma contribuição a dar para na área de conhecimento. Então, uma abordagem que leve em conta apenas os números é míope”.

“As interfaces entre a comunicação e a política, as novas tecnologias e as artes cinematográficas são algumas das principais linhas de força do trabalho que se realiza na pós-graduação”.

 

ENTREVISTA

Núcleo de Memória:  Quais as funções você já desempenhou no Programa?
Francisco Rüdiger: Professor e orientador. Disciplinas de Comunicação, Teoria Crítica e atualmente Crítica do Pensamento Tecnológico.

Núcleo de Memória:  Qual a relevância do Programa para a área de comunicação?
Francisco Rüdiger: O programa é de natureza acadêmica e tem como objetivo formar recursos humanos de alto nível para a docência, a extensão e a pesquisa. O curso de pós-graduação é de estrito senso, ou seja, de natureza, estritamente acadêmica que visa formar pessoal para instituição de nível superior seja no plano da docência, seja no plano da pesquisa e eventualmente da extensão e da administração. Essas são as funções, cada um trabalhando na sua área, nesse caso, a nossa área é da comunicação.

Núcleo de Memória:  Quais temáticas representam o Programa na comunidade acadêmica?
Francisco Rüdiger: As temáticas no nosso curso são muito variadas, já que nós não temos um curso situado no principal eixo econômico e do próprio negócio da comunicação no Brasil. Por isso, nós não conseguimos ainda recortar áreas com uma melhor definição do ponto de vista dos métodos e dos objetos de estudo. Mas há algumas ênfases, por exemplo, mais recentemente tem aparecido uma preocupação em estudar o cinema, antes disso, nós já detectamos um interesse pelos estudos de comunicação e tecnologia. E sempre foi importante também, o estudo da parte relativa à política. Então eu diria que as interfaces entre a comunicação e a política, as novas tecnologias e as artes cinematográficas são algumas das principais linhas de força do trabalho que se realiza na pós-graduação.

Núcleo de Memória: Como consideras a representatividade do cinema no Brasil atualmente?
Francisco Rüdiger: O cinema brasileiro teve historicamente momentos altos e baixos. Em termos recentes, nós temos dois momentos bem marcantes, ou três momentos. Durante a ditadura militar, em 12 de setembro de 1969, houve a criação da mais importante empresa pública de cinema da América Latina: a Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) e a produção brasileira na área do cinema avançou bastante, embora a maior parte dos filmes não tivesse representado muito em termos artísticos e intelectuais, mas mesmo assim houve produções importantes. Depois nós temos um momento de ruptura do governo Collor que acabou com a Embrafilme e isso determinou um estancamento na produção cinematográfica. Depois, no governo do Fernando Henrique Cardoso, com as leis de incentivo à cultura, houve uma retomada da produção cinematográfica brasileira. E é em meio a esse novo ciclo que a gente deve situar o interesse crescente que pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, na Famecos em particular, a área de cinema tenha adquirido, e tudo isso também tem repercutido na pós-graduação, onde diversos alunos, talvez dos mais destacados, têm feito pesquisas e estudos nesta área.

Núcleo de Memória:  Cite um fato marcante que você vivenciou no Programa?
Francisco Rüdiger: Fatos marcantes na minha condição, que se restringe à docência e orientação, são momentos significativos quando facilitamos a realização de um trabalho de destaque, uma pesquisa séria com resultados expressivos, capazes de trazer enriquecimento intelectual e amadurecimento profissional para o aluno. Isso, para o orientador, é uma coisa meritória, e eu posso dizer que embora nem todos os meus orientandos tenham brilhado, eu me considero um orientador satisfeito porque eu tive alguns alunos, tanto no mestrado quanto no doutorado, que fizeram trabalhos significativos para o nosso contexto, devido a isso, eu me sinto recompensado. Gostaria que mais alunos tivessem o desempenho destes que estou pensando no momento, mas só o fato de eu poder indicar o nome de uns seis ou sete que, realmente, fizeram trabalhos que no contexto se destacam pra mim, já é um motivo de satisfação profissional. Não posso deixar de apontar também como momentos significativos em aulas que eu ministro, não em todos os semestres, mas em muitos semestres. São aulas que eu sinto que agregaram alguma coisa aos estudantes, onde eu pude trabalhar a matéria com toda seriedade e profundidade que ela exige, são momentos de recompensas profissionais importantes.

Núcleo de Memória: Qual a  diferença do programa pós-graduação de antigamente e agora?
Francisco Rüdiger: Quando o programa iniciou, eu estava fora da PUC, fazendo o meu doutorado. Então eu não acompanhei os primeiros anos. Especificamente, os três primeiros anos do curso, eu não pude acompanhar. Eu me integrei no início dessa história, mas não bem no comecinho. Eu dirigia que a evolução do curso, é difícil de ser avaliada, eu acho que essa pergunta teria que ser respondia por quem tem uma visão mais de conjunto. Eu acho que avançou muito na parte de infraestrutura, avançou na parte de organização, mas do ponto de vista do tipo de cobrança que é feita, houve um retrocesso, mas isso também tem a ver com fatores estranhos à PUC. Tem a ver com medidas tomadas na área da pós-graduação no Brasil. Acho que a cobrança da produção acadêmica em termos quantitativos e mecânicos é um completo equívoco, pelo menos na área de comunicação, quando a preocupação é qualitativa é de realmente preparar trabalhos que tenham uma contribuição a dar para na área de conhecimento. Eu considero que uma abordagem que leve em conta apenas os números ela é míope, ela é equivocada, mas por outro lado nisso o curso acompanha tendências que ele não tem como controlar isoladamente. Várias coisas sob as quais eu posso falar representaram avanços institucionais no programa, algumas outras sofrem impactos de fatores externos eu acho que implicam numa banalização numa mecanização da atividade decente e também discente porque os alunos são compelidos a produzir por produzir.

 

Curso(s): , ,

Década(s) de referência: 1980, 1990, 2000, 2010

Vínculo Famecos: Professor

Graduação em: Jornalismo, UFRGS (1980); História, UFRGS (1984).

Mestrado em: Filosofia, UFRGS (1987).

Doutorado em: Sociologia, USP (1995).

Produção do material sobre esta personalidade: Natália Gabineski Toborda

Edição do material: Tiberio Vargas Ramos e Luciano Klockner

Dados cadastrados por: Stephanie Espindola e Silvana Sandini

Post publicado em: 15 de julho de 2013