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João Guilherme Barone, entre a música e o cinema

João Guilherme Barone

Quem vê o professor João Barone à frente da guitarra e dos vocais da Banda dos Professores da Famecos, não imagina quanto ele pode ser reservado. Reservado mas receptivo. Reservado e muito disciplinado. O sotaque forte do Rio de Janeiro, onde Barone nasceu, de modo algum atrapalha sua convivência com os gaúchos. Ao contrário. Os seus gostos estão expressos nos pôsteres de filmes colados nas paredes e nos livros sobre cinema espalhados pela mesa de trabalho. Na tela do computador, bandas de rock. E não poderia ser diferente já que João Barone, além de professor, pesquisador e guitarrista, também é irmão do baterista da banda Os Paralamas do Sucesso. A arte está no sangue, assim como a música e o cinema.

João Barone coordenava até 2011 o Curso Superior de Tecnologia em Produção Audiovisual na PUCRS e fez o doutorado na mesma instituição. Segundo ele, foi uma escolha conveniente porque ele já era professor na Universidade e quando sentiu a necessidade de se especializar, optou por unir o local de trabalho ao local de estudo. Formado em Jornalismo pela PUCRS, com mestrado pela Universidad Internacional de Andalucía (Espanha) e doutorado pela PUCRS, Barone é professor do Curso de Produção Audiovisual e do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social (PPGCOM) da Famecos. Em 2012, foi escolhido pelo Reitor da PUCRS para ocupar a direção da Famecos, o que certamente mudou um pouco a sua rotina.

Da época de aluno do doutorado, Barone tem lembranças voltadas para o lado acadêmico do curso. Lembra com carinho do professor Jacques Wainberg que “deixa uma marca importante e é uma referência muito construtiva para o aluno de doutorado”, dos debates produtivos com o professor Juremir Machado da Silva e dos trabalhos realizados com a professora Maria Beatriz Rahde. O convívio com os colegas em sala de aula era pouco, pois, segundo ele, na pós-graduação as exigências do curso e do tempo dedicado acabam fazendo com que não sobre muito tempo para confraternizar com os colegas.

Por ter concluído a pós-graduação na Faculdade onde lecionava, Barone acredita que tenha tido uma vivência diferente porque além de aluno, era professor – e além de professor era aluno. Os dois papéis acabavam se mesclando. Alguns colegas do corpo docente também estavam fazendo doutorado e outros eram seus professores. A convivência com os professores da Famecos nos corredores, nas escadas, no pátio e no café era muito gratificante. Ainda mais por ser cotidiana: não acontecia por causa do doutorado, mas pelo fato de ele estar no seu espaço de trabalho. Mesmo sendo professor na Famecos, Barone ressalta que fez a seleção como qualquer aluno, foi avaliado, o seu projeto foi discutido e aceito. Ele assistiu às aulas e teve orientação como qualquer aluno, mas com a vantagem de que saía de uma porta, onde era professor, e entrava em outra porta, onde era aluno.

A vaga como professor no PPGCOM foi uma oportunidade que Barone atribui ao doutorado. Ele atualmente leciona uma disciplina no Programa, tem sete orientandos (três de mestrado e quatro de doutorado) e gosta das atividades cotidianas que isso impõe ao seu trabalho. Os professores do Programa têm que publicar material científico, desenvolver e orientar projetos de pesquisa, participar de eventos científicos, entre outras atribuições.

Barone conta que se pudesse fazer diferente, faria o mestrado no Brasil e o doutorado fora do país. Ele fez o mestrado na Espanha e iria voltar ao país ibérico para fazer o doutorado, mas foi difícil parar as atividades no Brasil e se dedicar a um projeto como este no exterior. O Programa de Pós-Graduação da Famecos estava com cinco anos quando ele fez a seleção (em 1999). Segundo ele, se fosse escolher uma instituição para fazer doutorado hoje, ele olharia com atenção para o Programa da Famecos, pois é um Programa bastante conceituado, muito bem avaliado e tem um bom time de professores.

Se tivesse seguido os planos de concluir o doutorado, Barone acredita que teria tido experiências diferentes porque quando se está em outro país há uma tendência maior a confraternizar com os colegas, porque se está lá só para estudar e não precisaria – como ele, na época – dar aulas. “Quando você está na sua cidade, no seu domicílio, no seu território e ainda no seu local de trabalho onde você é professor, essa convivência se dá em um formato diferente”, completa. Mas isso é assunto para outra história.

“No doutorado tudo é diferente. Você não tem mais aquela ligação com o colega, só. Sua ligação é com a pesquisa, com a procura de um caminho onde tem que se deparar com questões teóricas, procurar aquilo que sirva para qualificar o teu trabalho. É uma dinâmica diferente”.

 “O momento da banca é marcante. O final de uma trajetória. E o início de outra. Esse é um momento fundamental, que exige muito esforço, muita concentração. É um momento que nunca se esquece”.

 

ENTREVISTA

Núcleo de Memória: Quais recordações o PPGCOM – Famecos desperta em você?
João Guilherme Barone:
Principalmente a recordação de ter que se dedicar a trabalhar na tese, terminar no prazo, ficar bom, poder qualificar e depois ir pra banca, a rotina de trabalho que isso impõe. Tem que ter a disciplina de assistir a aula, saber aproveitar e trazer o que você está assistindo na aula para a tua pesquisa. Eu diria que essa rotina gera certa memória de um período onde você está bastante ocupado. Quando eu não estava dando aula, estava estudando, assistindo aula, pesquisando, produzindo texto. Sobretudo a reta final do meu trabalho, de ter que fazer um esforço grande para concluir a redação e ter um texto pronto para poder ir para banca. Esse é um momento delicado, que exige muito esforço, muita concentração, esse é um momento que nunca se esquece.

Núcleo de Memória: Quais a lembranças que lhe vêm à mente, agora?
João Guilherme Barone:
As lembranças que eu tenho são mais acadêmicas, mais relacionadas às disciplinas e a própria exigência que o curso tem. Os colegas eu só via praticamente na sala de aula, até porque na pós-graduação, no doutorado, você dando aula, trabalhando, você não tem muito tempo para confraternizar com os colegas. Se você está em outra universidade ou em outro país, há uma tendência a você confraternizar mais, porque você está lá só para aquilo. Quando você está na sua própria cidade, no seu próprio domicílio, no seu próprio território e ainda no seu próprio local de trabalho onde você ainda é professor, eu era professor, coordenava um curso de extensão, essa convivência se dá em um formato diferente. Com os professores eu tenho lembranças de convivência dentro da sala de aula, de debates muito interessantes com o Juremir, o professor Jacques, mas é uma convivência diferente. No doutorado tudo é diferente, você não tem mais aquela ligação aluno-aluno, você é um tipo de aluno diferente, que não é um mais aluno, você é alguém que está pesquisando, procurando um caminho onde tem que se deparar com questões teóricas, questões de formatação, procurar aquilo que sirva para qualificar mais o teu trabalho, o teu texto. É uma dinâmica diferente daquela onde você convive mais, tem aquele momento, não tinha muito isso. Era uma coisa mais pragmática no bom sentido. Depois tem a convivência com os professores da Famecos como um todo, você cruza no corredor, na escada, no pátio, no café e é uma coisa cotidiana que não é diferente por causa do doutorado, é pelo fato de você estar no seu espaço de trabalho e encontrar essas pessoas lá. Eu tive uma vivência diferente porque além de aluno, eu era professor e além de professor eu era aluno e essas coisas acabam se mesclando.

Núcleo de Memória: Como o PPGCOM – Famecos contribuiu para as suas atividades profissionais?
João Guilherme Barone
: O fato de você estar dentro do corpo docente de um programa de pós-graduação determina algumas rotinas profissionais que devem ser cumpridas. Todos nós somos professores do Programa e temos umas tarefas de rotinas que temos que cumprir todos os anos: publicar, frequentar eventos científicos, orientar, fazer banca de qualificação, banca de defesa, projeto de pesquisa, orientar iniciação científica, a vida profissional fica com esse lado. Se você não é professor da pós-graduação, não tem essas atribuições que os professores da pós têm que se preocupar diariamente.

 

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Década(s) de referência: 1970, 2000, 2010

Vínculo Famecos: Aluno, Professor, Coordenador, Diretor

Graduação em: Comunicação Social - Jornalismo pela Famecos/PUCRS (1979).

Mestrado em: Comunicacción e Indústrias Audiovisuales En El Espacio Iberoamericano, Universidad Internacional de Andalucía, Huelva, Espanha (1999).

Doutorado em: Comunicação Social, PUCRS (2005).

Produção do material sobre esta personalidade: Memória Famecos

Edição do material: Tiberio Vargas Ramos e Luciano Klockner

Dados cadastrados por: Silvana Sandini

Post publicado em: 8 de março de 2014