Personalidades » Maria Helena Steffens de Castro

A relevância da análise dos discursos.

Formada em jornalismo em 1975, desenvolveu junto a uma equipe de jornalistas e relações-públicas a organização de acervos do museu de comunicação, vindos da biblioteca pública e do arquivo histórico. Criou-se com este projeto o Museu de Comunicação como um órgão de pesquisa da comunicação social, o principal do Rio Grande do Sul.

Fez sua especialização no curso superior de formação de professores da PUCRS, no final de 1976. Curso que era dado aos professores que iriam lecionar na faculdade. Em 1996 fez mestrado em Educação na PUCRS e o doutorado na Faculdade de Letras da PUCRS, de 1998 a 2002.

Foi coordenadora do grupo Delfos que tinha uma parceria junto com a Faculdade de Letras para desenvolver este trabalho. Coordenava pela Famecos e a professora Alice Moreira pela Faculdade de Letras. “Eu aprendi muito, mas muito mesmo, quando eu fui fazer o doutorado lá! Eu conheci novos autores! Autores que trabalham com o tema “discurso da mídia”, porque a análise de discurso não é trabalhada na Faculdade de Comunicação, é mais análise de conteúdo. Então eu fiz a minha tese toda com o assunto “análise de discurso” e foi a disciplina que eu dei depois na pós-graduação, e olha, a aula enchia! Dentro do Pós a gente tem que estar sempre procurando autores novos, gente nova, novas formas de fazer pesquisa, isso é muito importante. Eu acho que essa foi a minha grande contribuição.”

Lecionou na Pós a disciplina Discurso das Organizações onde o foco de estudo era voltado para os diversos meios de mídias, nos quais as organizações manisfestam-se como o discurso: no rádio, na televisão, novelas, jornalismo, etc.

“Como a Faculdade de Letras é bem mais antiga, ela faz um trabalho muito sistemático, rico e sério de como analisar um texto de mídia. Eu aprendi muito lá com eles, isso me deu muita segurança para poder falar e os alunos da Pós sentiam isso! Discurso político, por exemplo. Os alunos eram preparados para perceber os “ditos”, e os “não ditos”? O que está por trás do discurso? Com um bom trabalho de leitura os alunos são capazes de fazer, descobrir e acessar. Os alunos se interessavam muito pelo assunto, sentiam  segurança em uma análise de comunicação. Eu não me recordo quais as disciplinas que eram dadas junto com a minha, mas havia o trabalho em rádio, uma disciplina em televisão, sobre jornalismo e RP.”

O grande objetivo era despertar no aluno o gosto pela pesquisa. Coordenou no período de 1987 à 2005 o Núcleo de Pesquisa em Ciências da Comunicação onde foram resgatados jornais, revistas e filmes doados por jornalistas. O enfoque era que os alunos pudessem pesquisar neste vasto conteúdo e  utilizá-los como fontes em trabalhos monográficos e teses, dando a oportunidade destes discutirem em congressos e resultando em mais segurança para explorar novas áreas no mercado de trabalho. “As pós-graduações, em geral, têm um compromisso muito grande. O Brasil nunca recebeu um prêmio Nobel, mesmo com tantas universidades maravilhosas e, agora, por exemplo, na PUCRS, há o grande Centro do Cérebro, que já é uma referência internacional. A gente tem que trabalhar visando sempre o mundo, e não somente a PUCRS, Porto Alegre ou o Brasil. Os alunos hoje vão trabalhar em empresas internacionais, com todo esse mercado que foi ampliado por intermédio das tecnologias, que devem levar isto em conta. Posso falar sobre um fato marcante que aconteceu no doutorado, que foi a digitalização da revista do Globo. Foi uma das revistas mais importantes do final do séc. XX, começou em 1929 e terminou em 1967. Foi um trabalho muito grande porque os exemplares estavam espalhados por todo o Rio Grande do Sul, havia números que estavam em posse de uma senhora que residia em Novo Hamburgo que nos avisou, e a gente foi até lá buscar. Com isso, nós fomos montando a coleção completa, que, por sinal, é a única coleção completa que tem. Isso foi um trabalho muito grande, que recebi a ajuda de muitos estudantes de pesquisa, 6 ou 8 alunos por semestre. Para completar a coleção, a gente colocava anúncio no jornal, daí o pessoal mandava ou a gente buscava na residência das pessoas. O site da biblioteca oferece o acesso digital à revista.”

 

 

Curso(s): , , ,

Década(s) de referência: 1970, 1980, 1990, 2000

Vínculo Famecos: Aluno, Professor

Graduação em: Comunicação Social - Jornalismo, Famecos/PUCRS (1975).

Especialização em: Curso Superior de Formação de Professores da PUCRS (1976).

Mestrado em: Mestrado em Educação, PUCRS (1996).

Doutorado em: Doutorado na Faculdade de Letras da PUCRS, (1998).

Produção do material sobre esta personalidade: Cristiane Machado Almansa

Edição do material: Patrícia Prestes de Ávila

Dados cadastrados por: Patrícia Prestes de Ávila

Post publicado em: 22 de maio de 2014