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Roberto Tietzmann: observação na zona de fronteira das imagens

Roberto Tietzmann

Desde o colégio, já manifestava interesse na área da comunicação e, com o tempo, optou por fazer Publicidade e Propaganda na UFRGS. De lá para cá, a publicidade teve acrescida novas paixões na vida do professor Tietzmann, como é conhecido pelos alunos. Aos poucos foram chegando o cinema e a tecnologia. A partir daí, as múltiplas áreas onde atua convivem de forma permanente em sua rotina de trabalho. Entre elas estão montagem cinematográfica, design em movimento, tecnologia audiovisual e produção audiovisual publicitária, além de um assunto sempre prioritário em suas pesquisas: as interfaces homem-computador para produtos interativos em comunicação.

 

Frases:

 

“A pesquisa que desenvolvo buscar observar zonas de fronteira de imagens, sejam estáticas ou em movimento, surgindo uma nova linguagem ou sublinguagem, sendo um híbrido entre dois mundos, algo diferente do que lhe deu origem”.

 

“O nosso programa de Pós tem um papel central no desenho da qualificação tanto na docência quanto na pesquisa e mesmo em relação à atividade profissional em nosso estado e fora dele”.

 

 

Questionário:

P – Como todo o pesquisador, o seu currículo mostra o interesse, curiosidade por várias áreas. De que forma isso acontece?

Tietzmann – É verdade. Logo no início da minha época de estudante despertei o interesse pela comunicação através da Publicidade e Propaganda. Na época da faculdade, estava sempre envolvido com coisas novas, aproveitando todas as oportunidades que apareciam pelo caminho, entre elas, a fotografia e o design, por exemplo. Outra coisa que percebi é que os professores com Doutorado ou que participavam de alguma pesquisa, eram mais interessantes, tinham mais coisas novas a dizer, iam além do óbvio, além dos conteúdos tradicionais.

P – Foi esta observação que fez o senhor optar pela vida acadêmica?

Tietzmann – Talvez, mas naquele momento nunca pensei que seria professor. Claro, via uma possibilidade que poderia se abrir no futuro, mas estava mais preocupado com as coisas mais imediatas. No entanto, neste período, fui bolsista do professor Flávio Cauduro que depois veio a trabalhar aqui na Famecos. Com ele, percebi que a pesquisa que realizava, em design gráfico e tecnologia, me interessavam bastante. Depois cursei uma Especialização em Produção Cinematográfica aqui na PUCRS e notei que poderia, além de ter uma inserção profissional no mercado, também ter uma inserção profissional acadêmica. Em 1999 comecei a dar aulas na Unisinos, de cadeiras na área publicitária.

 

P – Quando veio para a Famecos?

Tietzmann – Em 2001 comecei a dar aulas aqui e em 10 anos fiz o Mestrado e o Doutorado, consolidando a minha carreira mais para o lado acadêmico.

 

P – De que forma, o concilia as aulas que exigem certa repetição de conteúdos com as novidades que tanto despertavam o seu interesse quando aluno?

Tietzmann – Pois é. Já estou há 15 anos em sala de aula e claro que alguns conteúdos se repetem um pouco mesmo com a atualização que fazemos semestre a semestre. Aí a gente pensa um pouco e vê que para construir o novo, avançar as fronteiras do conhecimento isso acontece principalmente no Pós-Graduação. Então, comecei a colocar o conhecimento à prova, me dedicando bastante ao doutorado, levando ideias preliminares para vários congressos, buscando debates e publicações, ouvindo críticas e me preparando para uma oportunidade futura. Ela veio em 2012, quando passei a participar do programa de Pós. A disciplina que ministro tem o título de Comunicação Audiovisual, Fronteiras, Tecnologias e Retóricas.

 

P – Como esta disciplina está constituída?

Tietzmann – Ela é um somatório de diversas pesquisas que fui desenvolvendo ao longo das minhas trajetórias acadêmica e profissional. É basicamente uma disciplina que vai observar sempre quando há uma sobreposição de dois ou mais tipos de produção de imagem. Por exemplo, quando a imagem estática (desenho, ilustração, uma fotografia) tenta representar um movimento. O que acontece? Cria-se ai uma nova linguagem, uma sublinguagem ai dentro. O mesmo ocorre quando esse movimento passa a ser o cinema propriamente dito, quando o cinema se mistura com animação, com imagens digitais, com efeitos visuais, com jogos eletrônicos. Fica estabelecida uma zona de fronteira entre dois tipos de imagem, algo que as teorias de cada lado não dão conta e que precisa ser estudado.

 

 

Curso(s): ,

Década(s) de referência: 2000, 2010

Vínculo Famecos: Aluno, Professor

Graduação em: Graduação em Publicidade e Propaganda, Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS (1997).

Especialização em: Especialização em Especialização Em Produção Cinematográfica, Famecos/PUCRS (1999).

Mestrado em: Mestrado em Comunicação Social,Famecos/PUCRS (2005).

Doutorado em: Doutorado em Comunicação Social, Famecos/PUCRS (2010).

Produção do material sobre esta personalidade: Patrícia Prestes de Ávila e Luciano Klockner

Edição do material: Luciano Klockner

Dados cadastrados por: Patrícia Prestes de Ávila

Post publicado em: 15 de julho de 2014