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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Revista do Globo: a porta-voz da cultura do Sul em 52

Em 1952, quando da fundação do curso de Jornalismo da PUCRS, a Revista do Globo, publicação quinzenal, era o porta-voz da cultura do Rio Grande do Sul e referência nacional, servindo como suporte e divulgação de obras impressas pela Editora e vendidas preferencialmente na Livraria Globo, na Rua da Praia, a maior de Porto Alegre à época. O primeiro periódico ilustrado braslieiro foi criado pela Editora Globo, em 1929, por sugestão do então governador Getúlio Vargas. Resistiu até os primeiros anos da ditadura militar de 1964. A livraria no centro e o parque gráfico da editora, na Avenida Getúlio Vargas, no Menino Deus, estavam em decadência. O último número circulou em 17 de fevereiro de 1967 e a editora foi vendida para as organizações Globo.

Capa ilustrada pelo artista plástico Edgar Koetz em 1935

José Bertaso, proprietário da Livraria do Globo, encampou a sugestão de Getúlio Vargas e lançou a revista em 5 de janeiro de 1929, para ser “um veículo de divulgação e promoção da literatura”. A capa do nº 1 traz uma ilustração alegórica de Sotero Cosme — sobre fundo negro, a imagem de uma mulher com um globo dourado entre os braços, que tornou-se o símbolo identificador da revista.  A publicação foi concebida para ir além da literatura: abranger todas as áreas da cultura e entretenimento. Havia editorias para cobrir livros, artes pláticas, teatro, cinema, com novidades locais, nacionais e internacionais. Com 80 páginas ou pouco mais, ainda trazia seções de variedades, a vida social da cidade, moda, humor, literatura infantil e até esportes.

Capa da Revista do Globo em 1952, quando surgiu o curso de Jornalismo da PUCRS

No início apenas com ilustrações, a revista passou a utilizar fotografias com a modernização da imprensa na década de 1940. Durante 37 anos e dois meses de circulação, a revista teve entre seus diretores Erico Verissimo e colunistas como o poeta Mario Quintana, os jornalistas e escritores Viana Moog e Justino Martins, este último diretor, mais tarde, da revista Manchete. Entre seus ilustradores, figuravam nomes importantes das artes plásticas rio-grandenses, como Sotéro Coste, Ernest Zeuner, Edgar Koetz, João Fahrion e Francis Pelichek, que através de suas imagens deram impulso significativo para a difusão do Modernismo no Sul. A Revista do Globo é uma das fontes mais ricas para o reconhecimento e estudo dos traços característicos do Rio Grande do Sul em meados do século 20.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1952

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Milena Nyland

Post publicado em: 8 de maio de 2015