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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Em 1952 surge o primeiro curso de Jornalismo do Rio Grande do Sul

Rainha Elizabeth II assume o trono do Reino Unido

A Rainha Elizabeth II assume o trono do Reino Unido aos 26 anos de idade, no dia 6 de fevereiro. O escritor Erico Verissimo volta da praia de Torres, onde foi tentar escrever a última parte de O Tempo do Vento, O Arquipélogo, mas não consegue terminar. Em Paris, o filósofo, escritor e crítico francês Jean Paul Sartre lança Saint Genet, ator e mártir (biografia de Jean Genet) e passa a adaptar sua teoria do existencialismo ao marxismo. Ingressa no Partido Comunista Francês e quatro anos depois o renega ao escrever O fantasma de Stálin. No Rio, João Gilberto, o mito da bossa-nova, grava o primeiro disco, sem sucesso. James Dean começa a fazer pontas na TV americana; Marylin Monroe ganha seu primeiro papel principal em Meus lábios queimam; e o cinema se curva para Marlon Brando no filme Viva Zapata.

Erico Verissimo está escrevendo O Tempo e o Vento

Em março daquele ano de 1952, começa a funcionar, no Colégio Rosário, no centro de Porto Alegre, o Curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), pioneiro no Estado e um dos primeiros do Brasil, cinco anos após o lançamento do ensino superior para profissionais de imprensa no País, pela Fundação Cásper Líbero, em São Paulo, em 1947. A iniciativa do diretor da Filosofia, irmão José Otão, reproduz uma tendência de aprimorar os jornalistas, surgida na Europa, ainda no século 19, em cursos especiais, ampliados para ensino universitário, nos Estados Unidos, no início do século 20.

Sartre lança a biografia Saint Genet, ator e mártir

Naquele ano, Porto Alegre tinha dois jornais de referência, Correio do Povo e Diário de Notícias, o tabloide Folha da Tarde, o periódico especializado Consultor do Comércio e o último impresso partidário, o Estado do Rio Grande, do Partido Libertador (PL), maragato. Circulava a cada quinzena a Revista do Globo. As três grandes rádios de Porto Alegre eram a Farroupilha, de maior audiência, Gaúcha e Difusora (hoje Bandeirantes). Não havia, ainda, nenhum canal de televisão.

Marlon Brando se torna ícone do cinema com Viva Zapata

A proposta da PUCRS foi apoiada pela imprensa de Porto Alegre e muitos nomes consagrados vieram fazer o curso, como os diretores de redação do Correio do Povo, Adahil Borges Fortes da Silva; e da Folha da Tarde, Arlindo Pasqualini (mais tarde se tornou o nome do Centro Acadêmico da faculdade). Na primeira turma, de 48 alunos, também constam, entre outros, o secretário de redação da Folha da Tarde, Adil Borges Fortes da Silva, o editor internacional Bolívar Grisólia, o articulista Dante D’Ângelo, o setorista sindical Fermino Bimbi (mais tarde juiz classista), o jornalista e político trabalhista Hamilton Chaves, o cronista João Bergman, a colunista social Lígia Nunes e o apresentador de televisão Wadie Salomão, profissionais já destacados nas páginas dos jornais e nas rádios da cidade.

James Dean

A autorização para funcionar o Jornalismo da PUCRS foi dada no ano anterior pelo presidente Getúlio Vargas, em 31 de julho de 1951, e publicada no Diário Oficial da União em 8 de agosto. Depois de ter sido ditador durante 15 anos (de 1930-45), ele foi deposto no pós-guerra e voltou presidente eleito em 1950, com aproximadamente 50% dos votos válidos em uma eleição com três candidatos. O Brasil tinha 52 milhões de habitantes e capital era o Rio de Janeiro. Porto Alegre chegava aos 400 mil habitantes e o Hotel Majestik (hoje Casa de Cultura Mario Quintana) ainda tinha todo o seu esplendor. O governador gaúcho era Ernesto Dornelles (PTB) e o prefeito de Porto Alegre, Ildo Meneghetti (PSD).

Curso de Jornalismo da PUCRS começa a funcionar no Colégio Rosário

Os Diários Associados, de  Assis Chateaubriand, em 52 era o maior conglomerado jornalístico do país, com mais de cem jornais, dezenas de emissoras de rádio, a charmosa revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, e a TV Tupi, em São Paulo, pioneira e líder em audiência. Na capital gaúcha, os tentáculos de Chateaubriand eram a Rádio Farroupilha e o Diário de Notícias.

No entanto, o matutino dos Associados nunca conseguiu superar a concorrência dos jornais locais da então Empresa Jornalística Caldas Júnior, o matutino consevador Correio do Povo e o tabloide popular e vespertino Folha da Tarde. A rádio Gaúcha, das Emissoras Reunidas, de Arnaldo Balveé, era líder de audiência, com emissoras polos regionais nas principais cidades gaúchas.

Para lecionar no recém-criado curso de Jornalismo, a PUCRS convocou alguns de seus professores mais ilustres, como o humanista Dante de Laytano e o linguista João José Planella, além de jornalistas respeitados, com curso superior em outra áreas, como Guilhermino César, Ruy de Azambuja e Alberto André, presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e mais tarde diretor da faculdade.

 

 

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1952

Produção do material sobre este evento: Núcleo de Comunicação e Memória Institucional da Famecos

Edição do material: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Greice Timm e Milena Nyland

Post publicado em: 23 de abril de 2015