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Sobre Contexto Histórico da Comunicação:

Vitória de Fidel e morte de Villa-Lobos em 1959

Precursores: Guevara e Cienfuegos dominaram Havana antes de Fidel Castro (Memória/Divulgação)

O ano de 1959 começou com a vitória de Fidel Castro em Cuba, na virada do primeiro do ano, e terminou com os últimos acordes de uma música clássica brasileira, inspirada na imensidão da floresta amazônica, que marcaram a monumental produção musical do maestro Heitor Villa-Lobos, que morreu em 17 de dezembro, aos 72 anos. Seguiram-se uma experiência comunista sitiada na América durante quatro décadas, referência para setores da esquerda, e símbolo do atraso para seus críticos, e a execução da obra do brasileiro em palcos eruditos do mundo.

O sargento Fulgencio Batista (1901-1953), então com apenas 32 anos, militar da espionagem, especialista no uso da estonografia para a transmissão e interpretação de mensagens codificadas, derrubou, em 24 de agosto de 1933, o ditador Gerardo Machado (1871-1939), que governava a Ilha desde 1925. Nos próximos sete anos sucederam-se 14 nomes de políticos e militares em governos provisórios, mas quem mandava, nas sombras, era o ex-sargento promovido a general da noite para o dia. Em 1940, foi promulgada uma Constituição considerada progressista e o ditador camuflado venceu as eleições livres, nos braços do povo.

Na Segunda Guerra, o país participou ao lado dos Aliados. Quatro anos depois, quando terminou seu mandato, Fulgencio foi morar nos Estados Unidos. Continuou por mais oito anos breve período de liberdade em Havana, com eleições democráticas para presidente e as vitórias de Ramón Grau (1887-1969) em 1944 e Carlos Prío Socarrás (1903-1977) em 1948, ambos do Partido Cubano Revolucionário Autêntico, de natureza nacionalista a corporativista, com administração compartilhada das empresas.

Fulgencio Batista retornou a Cuba em 1952 para concorrer novamente à Presidência. Diante da iminente derrota, fez o que mais sabia: no dia 10 de março, três meses antes das eleições marcadas para 1° de junho, deu um golpe, rasgou a constituição de 1940 e instaurou nova ditadura, apoiada pelos americanos. Jogos, tráfico de drogas, prostituição, em ambiente musical e de luxo nos cassinos, esconderam, nos porões do regime, as masmorras de um regime corrupto e facínora.

A primeira tentativa frustrada de Fidel Castro de derrubar o ditador ocorreu ainda em 1953, no frustrado assalto ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, ao leste da Ilha, em 26 de julho. Os irmãos Fidel e Raúl Castro foram presos e condenados. Recolhidos ao Presídio Modelo, na Ilha Pinos, para cumprirem penas de 15 e 13 anos, respectivamente. Por interferência de professores e padres jesuítas, eles foram indultados em 1955 e se exilaram no México. Em 2 de dezembro de 1956, a bordo do iate Granma, 81 revolucionários cubanos voltam à ilha, mas são massacrados pelas forças militares do governo. Os sobreviventes se refugiam em Sierra Maestra, região serrana ao sudeste, entre eles, os irmãos Castro, o argentino Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Ao contrário de Fidel, advogado, e Guevara, médico, Cienfuegos era de origem simples, filho de alfaiate em Havana, pouco estudo, simpático, trabalhador de serviços gerais nos Estados Unidos antes de aderir ao comunismo.

A guerrilha se mantém nos próximos três anos. Os Estados Unidos cortam o envio de armas e munições ao ditador, abalando a resistência das forças regulares do governo. No dia 30 de dezembro de 1958, os rebeldes tomam a guarnição de Yaguajay. Sob o comando de Guevara e Cienfuegos, seguem para Santa Clara, capital da província de Villa Clara, onde chegam no dia seguinte, sem resistência. Estavam a apenas 268 km de Havana. Fulgencio fica sabendo da aproximação dos guerrilheiros e foge do Palácio Presidencial durante o espocar dos foguetes festivos pela entrada do ano. Seu destino: a República Dominicana. Castro só entra em Havana no dia 8 de janeiro, depois da “longa marcha da vitória”, numa encenação mais política do que militar – Cienfuegos e Guevara já haviam tomado a capital.

No dia 12 de novembro, Fidel Castro foi à televisão para comunicar a morte do comandante Camilto Cienfuegos. Ele teria morrido em desastre de avião, no dia 28 de outubro. O Cessna 310, pilotado pelo tenente Luciano Farinãs e tendo na tripulação também o revolucionário Felix Rodrigues, enfrentou uma tempestade, no centro da Ilha, em distrito de Villa Clara, por ironia, o caminho da vitória. Para tentar fugir do mau tempo, o piloto teria rumado para o norte. Não houve comunicação por rádio. Os destroços da aeronave e as vítimas nunca foram encontrados.

O desaparecimento do comandante, divulgado duas semanas depois, suscitou dúvidas. Cienfuegos havia entrado em rota de colisão com Castro com as prisões de ex-combatentes que se opunham aos rumos da Revolução. Ele havia criticado publicamente a prisão de Huber Matos. Além disso, a origem popular e simpatia natural de Cienfuegos o tornara um líder carismático. Quatro décadas depois, tudo continua especulação.

Parceria: Getúlio Vargas usou a música de Villa-Lobos como afirmação nacional (Memória/ Divulgação)

 O maestro

Dia 5 de março, data em que nasceu o carioca Heitor Villa-Lobos, em 1887, no Rio de Janeiro, durante o Império, tornou-se o Dia Nacional da Música Clássica. Com influência de Wagner Puccini e Bach, Villa-Lobos produziu 12 sinfonias, entre elas Uirapuru e Amazonas, choros, as Bachianas Brasileiras para piano e orquestra, músicas para vocal, coral e orquestra com temas do folclore nacional.

Depois de participar da Semana da Arte Moderna, em São Paulo, em 1922, apresentando-se três dias com diferentes espetáculos, o maestro foi morar em Paris durante um período, no ano seguinte. De 1927 a 1930 voltou à França. Retornou ao Brasil com a posse de Getúlio Vargas, à frente da Revolução de 30. Durante o Estado Novo, o ditador usou a música clássica nacional de Villa-Lobos como afirmação da brasilidade. Na comemoração da Independência, em 7 de setembro de 1940, diante de Vargas, ele regeu de um palco de 15 metros de altura, no Estádio São Januário, do Vasco da Gama, um coral de 40 mil crianças e adolescentes, e mil músicos, na execução do Hino Nacional. Ele foi um compositor nacionalista e universal ao mesmo tempo.

 

Curso(s):

Década(s) de referência: 1950

Ano de referência: 1959

Produção do material sobre este evento: Tibério Vargas Ramos

Dados cadastrados por: Carolina Aires

Post publicado em: 25 de abril de 2016